Arquivo da tag: noticia

Justiça dos EUA quer que DVD Jon ajude a produzir provas contra a Apple

Esta nota foi publicada por Augusto Campos em 19/08/2009 às 9:00 am

DVD Jon, o norueguês que ganhou notoriedade (e sua própria cota de problemas com as autoridades) por seu envolvimento no software DeCSS (que permite reproduzir DVDs “protegidos” por DRM), agora pode estar do outro lado da equação, tendo sido intimado pela Justiça dos EUA a contribuir algumas informações que aparentemente tentam provar que a Apple atua de maneira inapropriada na condução do iTunes, no que diz respeito à (ausência intencional de) compatibilidade ou interoperabilidade com soluções de terceiros.

Trecho da cobertura do iG Tecnologia:

Mais uma vez Jon Lech Johansen (vulgo “DVD Jon”) tenta provocar a Apple. Depois de conseguir colar na parede de uma Apple Store um anúncio do doubleTwist, seu software que dribla o bloqueio do iTunes + iPod, ele resolveu divulgar na internet uma intimação que recebeu dias atrás.Na intimação, a justiça dos EUA pede que DVD Jon entregue toda e qualquer comunicação com a Apple, a partir de 2003, que possa ser relevante para um possível caso acerca da legalidade do ecossistema iTunes + iPod.

Mais especificamente, a intimação solicita o seguinte:

1. Todas as comunicações [entre Jon e] a Apple a respeito de seus esforços para tornar o iPod interoperável com gravações digitais de áudio e/ou vídeo compradas em outras lojas virtuais além da iTunes Store e/ou seus esforços para fazer que gravações digitais de áudio e/ou vídeo compradas em outras lojas virtuais além da iTunes Store sejam interoperáveis com outros tocadores portáteis de mídia digital além do iPod, incluindo, mas não limitado a, seus esforços para contornar e/ou fazer engenharia reversa do FairPlay.

2. Todas as comunicações com a Apple a respeito de licenciamento do FairPlay.

3. Todos os documentos e comunicações acerca das tentativas da Apple de impedir seus esforços para contornar ou fazer engenharia reversa do FairPlay. (…) (via tecnologia.ig.com.br)

Saiba mais (tecnologia.ig.com.br).

FONTE: http://br-linux.org/2009/justica-dos-eua-quer-que-dvd-jon-ajude-a-produzir-provas-contra-a-apple/

Artigo do Stallman sobre Bill Gates na BBC News

By Terramel • July 4, 2008

Como faço parte da lista de discussão do Planet Geek, recebi ontem por e-mail uma mensagem com o artigo mais recente do Richard Stallman e que foi publicado na BBC News. Acho que o artigo ainda não foi traduzido para o português e, apesar de ser grandinho, vou tentar fazer um esforcinho agora ;)

Richard Stallman com sua Katana

O título original do artigo é: “It’s not the Gates, it’s the bars“, e isso talvez ficaria um pouco sem sentido traduzido – “Não são os portões, são as barras” – e obviamente Gates pode significar tanto portões como o tio Bill, mas tudo bem… Esqueçam o título… Vou traduzir o artigo que é mais fácil (será? Parece que não ;/ Ficou bem podre a minha tradução):

“Dar tanta atenção à aposentadoria do Bill Gates é não entender o ponto. O que realmente importa não é o Gates e nem a Microsoft, mas o sistema anti-ético de restrições que a Microsoft, assim como muitas outras companhias, impõe aos seus consumidores.

Esta declaração pode te deixar supreso, já que a maioria das pessoas com interesse em computadores tem fortes sentimentos em relação à Microsoft. Homens de negócios e seus políticos domados admiram seu êxito em construir um império sobre tantos usuários de computador.

Muitos de fora do campo da computação creditam a Microsoft pelos avanços cujos quais ela apenas levou vantagem, como por exemplo, tornar os computadores baratos e rápidos e a comodidade das interfaces gráficas.

A filantropia do Gates na área de saúde para países pobres recebeu boas críticas de algumas pessoas. O jornal LA Times denunciou que sua fundação gasta apenas de cinco a 10% de seu dinheiro anualmente e o resto é investido as vezes em companhias que causam degradação ambiental e doenças nos mesmos países pobres.

Muitos da área da computação odeiam o Gates e a Microsoft. Eles tem várias razões para isso.

Aliciar Fundos

A Microsoft persistentemente tem comportamentos anti-competitivo e já foi condenada por isso três vezes. George Bush, que livrou a Microsoft de sua segunda condenação pelos Estados Unidos, recebeu da Microsoft a oferta de fundos para as eleições de 2000.

Muitos usuários odeiam o “imposto Microsoft”, os contratos de varejo que fazem você pagar pelo Windows no seu computador mesmo que não vá usá-lo.

Em alguns países você pode receber um reembolso, mas o esforço requerido pra isso é desencorajador.

Existe também a DRM (Digital Restrictions Management): características de alguns softwares criadas para te impedir de acessar livremente seus arquivos. Aumentar a restrição dos usuários parece ser o maior avanço do Vista.

Incompatibilidades Gratuitas

Também existem as incompatibilidades gratuitas e os obstáculos na hora de interoperar com outros softwares. É justamente por isso que a União Européia exigiu que a Micro$oft publicasse as especificações de seus produtos.

Este ano a Microsoft criou comitês de padrões com seus partidários para conseguir a aprovação da ISO ao seu incômodo, não implementável e patenteado “padrão aberto” de documentos. A União Européia atualmente investigando isso.

Essas ações são intoleráveis, claro, mas não são eventos isolados. Elas são sintomas sistemáticos de um mal ainda mais profundo que a maioria das pessoas desconhece: Software proprietário.

O software da Microsoft é distribuido sob licenças que mantêm seus usuários divididos e impotentes. Os usuários ficam divididos porque são proibidos de compartilhar cópias com qualquer outra pessoa e ficam impotentes porque não tem o código fonte para permitir aos programadores ler e mudá-lo.

Se você é um programador e quer mudar o software, para você ou para outra pessoa, você não pode.

Se você é um empresário e quer pagar para um programador modificar o software de forma que atenda melhor suas necessidades, você não pode. Se você copiá-lo para compartilhá-lo com seu amigo, o que é apenas um ato boa vizinha, eles te chamam de “pirata“.

Sistema Injusto

A Microsoft quer nos fazer acreditar que ajudar o próximo é o equivalente moral a atacar um navio.

A coisa mais importante que a Microsoft fez foi promover esse sistema social injusto.

Gates é pessoalmente identificado com esse sistema, devido a sua infame carta aberta onde repreendeu usuários de microcomputadores por dividir cópias de seu software.

Ele disse, de certa forma, que “se vocês não permitirem que os deixe divididos e impotentes, eu não escreverei mais softwares e vocês ficarão sem nenhum. Se rendam a mim ou estarão perdidos!”

Mudança de Sistema

Bill Gates não inventou o software proprietário e milhares de companhias fazem o mesmo. É errado, não importa quem faça.

Microsoft, Apple, Adobe, e o resto, oferecem softwares para garantir seus poderes sobre você. Uma mudança nos executivos ou nas empresas não é importante. O que é necessário é uma mudança neste sistema.

É com isso que o movimento do Software Livre se preocupa. “Livre” se refere à liberdade: nos escrevemos e publicamos softwares que garantem ao usuário a liberdade de copiar e modificar.

Nos fazemos isso sistematicamente, pela liberdade: Alguns de nós pagamos, muitos como voluntários. Nós já temos sistemas operacionais completos, incluindo o GNU/Linux.

Nossa meta é entregar uma completa variedade de softwares livres úteis para que nenhum usuário de computador seja tentado a abrir mão de sua liberdade para conseguir algum software.

Em 1984, qunado comecei com o movimento do Software Livre, eu quase nem sabia da carta do Bill Gates. Mas eu fiquei sabendo de reclamações parecidas de outros e tive uma resposta: “Se seu software vai nos manter divididos e impotentes, por favor não o escreva. Estamos melhor sem ele. Descobriremos outra forma de usar nossos computadores e preservar nossa liberdade.”

Em 1992, quando o sistema operacional GNU foi completado com o kernel Linux, você tinha que ser um mágico para conseguir rodá-lo. Hoje o GNU/Linux é amigável: em algumas partes da Espanha e da Índia, é padrão nas escolas. Dezenas de milhões de pessoas o usam pelo mundo. Você pode usá-lo também.

Gates pode ter partido, mas as paredes e barras do software proprietário que ele ajudou a criar continuam, por enquanto.

Cabe a nós desmontá-las.”

Richard Stallman é o fundador da Free Software Foundation

Referência: BBC News

FONTE: http://terramel.org/artigo-do-stallman-sobre-bill-gates-na-bbc-news/

HACKERS CUBANOS

HACKERS CUBANOS

June 25th, 2008  |  Published in JORNALISMO, A REDE

Poucos sabem que um dos maiores investimentos de Cuba atualmente é na formação de hackers. A Universidad de las Ciencias Informáticas é uma espécie de Universidade de São Paulo (USP) de um curso só. São mais de 10 mil estudantes espalhados em dezenas de prédios numa área cercada de 270 hectares. São cinco anos de estudo e em 2007 foi formada a primeira turma: 1.334 graduados. Um dos prédios de salas de aula funciona totalmente em software livre.

A história da UCI remonta à história da tecnologia em Cuba. Vários dos prédios mais antigos eram usados pela URSS, durante a guerra fria, para decodificar mensagens inimigas – leia-se dos EUA. Pouco antes da queda do muro de Berlin, do fim da união soviética e da crise cubana, em 1987, surgiu o Programa Jovem Club de Informática, em 600 escolas no país, que ensinava a mexer em computador. Até então o computador era aquele trambolho esquisito que não fazia muita coisa.

Em 1990, enquanto o mundo começava a descobrir o mundo pela internet discada, chega o primeiro e-mail em Cuba. Só em 1992 acontece o primeiro acesso à internet, pelo programa Jovem Club. Uma década de crise se seguiu, chamada de período especial – sem os subsídios soviéticos, sem indústria desenvolvida, sem apoio internacional, com um bloqueio econômico imposto pelos EUA.

Em 1998 Cuba decide se abrir para o turismo e começa a recuperação econômica. Desde 2001 o acesso à internet pelo Jovem Club é grátis. “O Jovem Club é o nosso cibercafé, com a diferença que é grátis”, diz o assessor do reitor da UCI, Tomás López Jiménez. Mas existe outra grande diferença: a  internet do Jovem Club, na verdade, só acessa a intranet da ilha. Veremos mais adiante o que é a intranet.

A internet comunista é assunto polêmico. Cuba é sempre citada ao lado da China como um dos países que pratica a censura. Pouco ou nada se escuta das razões de Cuba – o outro lado, como dizem, não costuma ter muito espaço.

O professor de Teleinformática (ou internet) da UCI, Yohandri Ril Gil, dá o outro lado: o governo dos EUA bloqueia o acesso à internet da ilha. O bloqueio econômico impede que as companhias telefônicas negociem um acesso maior com o governo cubano, sob pena de sofrerem sansões. Em 1996, resultado de um movimento de uma ONG e da OEA, o Congresso americano aprovou um provedor de internet para Cuba (ADSL). “O que nós fazemos aqui é trabalhar para que esse padacito de banda seja de interesse social. Procuramos um modelo diferente de uso da internet do modelo neoliberal”.

Eles explicam que não poderiam liberar o acesso geral e irrestrito porque, primeiro, não são todos os que podem ter computador. Se apenas aqueles que têm [acesso a um PC] usarem a pequena banda da ilha para acessar pornografia, por exemplo, estariam dificultando o uso da rede por aqueles que precisam, como médicos, jornalistas e comerciantes. “Por isso não permitimos que as pessoas tenham acesso individual, a não ser em casos específicos. Porque o acesso de um pode prejudicar o acesso de todos.”

Mas o que há na intranet de Cuba? Uma busca no Google.com.cu por .cu mostra tudo. Não entenda mal: todo site cubano tem a terminação .cu, assim como os sites brasileiros são .br. Além dos sites, todo cidadão tem direito a um email cubano, oferecido pelo governo. “Quando [o tamanho da banda] é limitado, tem que otimizar. Por isso temos três tipos de acesso: o acesso ao e-mail (um servidor de e-mail), acesso à intranet e acesso pleno”, justifica o professor de internet. O governo alega que se abrisse os servidores para o Gmail, por exemplo, o tráfego sem controle de informação pesada acabaria com a banda da ilha. Os dissidentes dizem que é claro que o governo diz isso, mas que na verdade o que querem é controlar a informação.

Segundo a UCI, hoje existem mais de 300 mil contas de intranet, mais de 700 mil contas de correio e 700 mil computadores na ilha, contando os pessoais, de escolas, empresas, etc. Cuba tem 11 milhões de habitantes, e Havana, sozinha, dois milhões. “Mas quando se diz que em Cuba há um certo número de contas de intranet, não se sabe ao certo quantas são, porque as pessoas são solidárias. Compartilham o acesso, emprestam para os vizinhos usarem com a senha deles. Não dá para saber se é preciso multiplicar o número de contas por dois, três ou quatro.”

Se os EUA liberassem o acesso pleno, se Cuba pudesse ter banda larga, liberaria o acesso irrestrito para todas as pessoas? Alguns garantem que sim, outros têm certeza que não. Cuba tem um backbone nacional e mil quilômetros de fibra ótica esperando um possível cabo submarino que seria  construído em 2009 desde a Venezuela. Aí veremos.

Até 1995, todas as centrais telefônicas cubanas eram da década de 30. Nessa época, a densidade telefônica – linhas fixas por 100 habitantes – era de 5. Antes de liberarem a compra de celulares era 10%. Querem chegar a 25% ou 35% nos próximos anos. No Brasil, em 2002 já era de quase 30 telefones fixos por 100 habitantes.

Cuba tem 100% de ensino de computação. “Ensinar que existe um computador no qual é possível escutar música, fazer edição multimídia, escrever, seja no Windows ou no Linux, é algo que poucos países no mundo podem dizer que oferecem a todos”, vangloria-se o assessor do reitor. “Toda escola de Cuba tem uma TV com vídeo e um computador. Mesmo escolas distantes tem isso. Muitas têm intranet.”

Na UCI é diferente. Os alunos do primeiro ano têm acesso à intranet, e os dos outros, do segundo ao quinto, tem acesso pleno. Mas todos têm uma cota de Mb, que vai de 100 Mb/mês até 850Mb/mês, mais ou menos. “Isso tudo para não congestionar a rede”, justifica o professor.

Eles garantem que Cuba está tentando encontrar um jeito diferente de usar a rede mundial de computadores. “Não usamos a internet como uma ferramenta de acesso a coisas boas e ruins. Fazemos um uso útil da rede. Para ter acesso pleno, por exemplo, o aluno da UCI precisa se comprometer a não acessar sites de pornografia, promover o spam ou visitar sites terroristas. É um código de ética. Há sansões, de leves a mais pesadas, para quem quebra o código.”

Sendo uma universidade de ciências da informática, num país com o qual a Microsoft, a Adobe, a Sun e várias outras empresas não negociam, como ensinar os estudantes a usar programas básicos como o Windows, o PhotoShop e o Java? “Não nos vendem programas (por causa do bloqueio), então precisamos crackear. Até queríamos pagar as licenças, mas não podemos”, zomba o assessor do reitor.

Assim como os mecânicos de Cuba fazem milagres para rodar aqueles velhos Buicks com peças inventadas, tiradas até de liquidificadores, os programadores cubanos estão aprendendo a criar códigos num ambiente totalmente insalubre, sem peças, crackeando até os mais básicos programas e desenvolvendo sobre barreiras sólidas de um bloqueio norte-americano. Que ninguém se surpreenda se em alguns anos os maiores hackers do mundo forem cubanos.

ERRATA: o artigo foi modificado para corrigir o cargo e a grafia do nome de Tomás López Jiménez

FONTE: http://www.andredeak.com.br/2008/06/25/hackers-cubanos/